Escultura

Ficha Técnica

  • Tema: Pelicano (Temática Profana, Representação Animal)
  • Título: Túmulo com jacente de Dom Duarte de Meneses
  • Artista: Mestre Gil (?)
  • Localização geográfica: Santarém; Santarém: Museu de São João de Alporão
  • Proveniência: Igreja de São Francisco de Santarém. Capela das Almas.
  • Datação: Século XV (1477, cerca de?)
  • Localização no túmulo: arcossólio. pormenor
  • Dimensão: 435X100X650 cm
  • Material: Calcário
  • Estado de conservação: Bom
  • Descrição: Sarcófago inserido numa estrutura arquitectónica. Arca paralelepipédica, decorada num facial, com jacente sobre a tampa. Decoração da arca: sobre um fundo vegetalista (ramos de azinheira), ao centro, o emblema de Dom Duarte de Meneses, ladeado pelo seu brasão e pelo de Dona Isabel de Castro, sua segunda mulher. Sobre eles, uma faixa desenvolvida ao longo de todo o facial e sustentada por um anjo em cada extremidade, com inscrição comemorativa. Jacente de Dom Duarte de Meneses, governador de Ceuta e de Alcácer Ceguer, criado conde de Viana de Caminha, em 1460. Morreu em Marrocos em 1464, protegendo a retirada do rei Dom Afonso V, tendo sido impossível recuperar o seu corpo, desfeito pelos mouros. Como num combate havia quebrado um dente, foi este guardado por sua segunda mulher, Dona Isabel de Castro, num cofre e colocado no túmulo que lhe fez construir. O jacente, deitado de costas sobre uma base autónoma completamente revestida de folhagem de azinheira e que na cabeça lhe serve de almofada, veste armadura completa. A cabeça cobre-se com um bacinete coroado de louros. Os pés assentam numa mísula formada pela mesma vegetação. Estrutura arquitectónica constituída por um rectângulo enquadrado nos ângulos por dois pináculos decorados com cogulhos; sob eles duas imagens: do lado da cabeça do jacente, a Virgem, do lado dos pés, São João Evangelista (com uma original cabeça bifronte). Ambas as imagens estão assentes em mísulas com decoração zoomórfica e coroadas por baldaquinos de complexa feitura. O centro da composição está organizado por um grande arco contracurvado subdividido em dois arcos quebrados que se intersectam, estando a intersecção assinalada por uma mísula decorada com três anjos assentes sobre o escudo de Dona Isabel de Castro. As bandeiras dos dois arcos quebrados estão preenchidas com decoração flamejante, rematada por arco segmentar decorado com cairéis. Sobre a mísula central, no espaço deixado livre entre os dois aros quebrados e o desenho do arco contracurvado, inscreve-se a representação de Cristo na cruz, com quatro anjos, cada um com seu cálice, recolhendo o sangue das chagas do crucificado. Na base da cruz e servindo-lhe de suporte, encontra-se uma caveira; sobre a cruz, um desenvolvido baldaquino coroa a composição. Assinala-se ainda a presença de elementos decorativos quer geometrizantes quer fitomórficos, salientando-se o uso do emblema do tumulado na parte superior da estrutura tumular. Na borda da tampa da arca, sob a cabeça do jacente, vêem-se, em caracteres góticos, as letras g e m ; no lado esquerdo da estrutura arquitectónica, também em caracteres góticos, o nome gil (?).
  • Heráldica: Armas de Meneses: cortado de um traço, partido de dois: o 1º, 3º e 5º de oiro, dois lobos passantes, sotopostos, de púrpura, armados de vermelho; o 2º, 4º e 6º, de oiro, quatro palas de vermelho; sobre o todo de oiro liso. (1º Vilalobos, 2º Limas. Meneses) (Anselmo Braamcamp Freire, Brasões da Sala de Sintra, vol. 3, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996, p. 283)
  • Inscrição: “MEMORIA DE D. DUARTE DE MENEZES. TERCEIRO CONDE DE VIANA. TRONCO DOS CONDES DE TA // ROUCA. PRIMEIRO CAPITAO DE ALCAÇAR SEGUER EM AFRICA. Q(UE) COM QUINHENTOS SOLDADOS DEFEN // DEO ESTA PRAÇA CONTRA CEM MIL MOUROS. COM OS QUAES TEVE MUITOS ENCONTROS. FICANDO DEL // LES SEMPRE VENCEDOR. MORREO COM GRANDE HONRA. E GLORIA NA SERRA DE BENACOFU POR SAL // VAR A VIDA DE SEU REY D. AFFONSO V. Histor(ia) Seraph(ica) da Prov(incia) de Portug(al). tom. I, liv. 4. cap. 30”
  • Documentação anexa: não se aplica
  • Bibliografia: CORREIA, Vergílio, “A Arte do Século XV”, Obras, vol. II, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1949, pp. 132-134; DAVID, Dionísio David M. M., Escultura Funerária Portuguesa do Século XV, Dissertação de Mestrado (polic.). I Parte, Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa [1989], pp. 19-20 e 47; CUSTÓDIO, Jorge (coord.), São João de Alporão, na História, Arte e Museologia, Santarém, Câmara Municipal de Santarém, 1994, p. 154
  • Autor da foto: José Custódio Vieira da Silva
  • Data da foto: 2006-07-20
  • Data da ficha: 2006-07-13
  • Catalogadores: Joana Ramôa; José Custódio V. Silva